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Cachoeira do Norte foi o primeiro lugar que me acolheu na minha visita ao Programa do Turismo Solidário no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais. A chegada na casa de Ivanete quebrou a rotina da família e da pequena cidade com pouco mais de mil habitantes. Embora faça parte desde o início do programa, a cidade nunca recebeu turistas diretos. Pense em uma cidadezinha de interior, que a única obrigação é ter o café fresco em casa para receber os vizinhos, ou simplesmente ir na casa dos parentes no final do dia.

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Vista de toda a cidade

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Para você que chegou agora e não está entendo nada sobre o que é Programa do Turismo Solidário, sugiro que leia a postagem que explica tudo direitinho clicando aqui.

O que vai encontrar no receptivo familiar de Cachoeira do Norte?

Café fresco, pão de queijo assado na hora, comida mineira, artesanato local e boa “prosa” para passar o tempo. Em Cachoeira do Norte, você aprenderá a fazer algumas das delícias mineiras com as quitandeiras locais. Das atividades culturais proposta pelo programa, a oficina chamada de “Delícias de Queijo de Minas” é uma das mais funcionais. E claro, a mais gostosa! Nunca comi tanto pão de queijo e biscoito de polvilho em um espaço de tempo tão curto. Pense na pessoa que saiu feliz da casa da Dona Conceição e com três quilos a mais? Eu.

Além das oficinas você não vai encontrar muito o que fazer na cidade. Os atrativos naturais e culturais — fora das datas festivas — não são explorados, e os moradores tão pouco se mostram interessados em te levar a algum lugar. O segredo é aproveitar a calmaria da cidade e sair de lá um expert em quitandas. O prazer de ir até Cachoeira é aprender a fazer quitutes.

Embora leve o nome de Cachoeira do Norte, não se empolgue. O único resquício de água que passava pela região secou há alguns anos e de cachoeira só tem o nome. Infelizmente.

Oficina de quitutes mineiros

Quem me recebeu para a troca de saberes foi Maria da Conceição, uma simpática quitandeira que aprendeu com mãe o gosto de cozinhar. Passei a tarde na casa dela com a mão na massa, literalmente. Entre um fornada e outra, chegou um vizinho, uma neta, uma irmã, um irmão, uma sobrinha… Até o final do dia já tinha conhecido metade da família.

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Vale a pena conhecer também a Associação Confecções Cachoeirense que foi fundada na necessidade de proporcionar oportunidade de renda às mulheres. Antes da associação elas saíam junto com os homens no que chamam de “migração” para colheita de café e cana de açúcar, em São Paulo e no sudeste de Minas Gerais.

O trabalho pesado e de muito sofrimento deu a essas mulheres o título de Mulheres Sofridas, Viúvas da Seca ou Viúvas dos Maridos Vivos. Quem vai para as lavouras chega a ficar oito meses sem voltar para casa. Esse tipo de atividade ainda é a maior fonte de renda das pessoas no norte de Minas, mas graças ao projeto da associação as mulheres de Cachoeira do Norte podem trabalhar sem deixar a casa e filhos.

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Como chegar à Cachoeira do Norte

O acesso se dá via Chapada do Norte, cidade sede do município. De Chapada do Norte até Cachoeira são 15km em estrada de terra.

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Como já disse nessa postagem, o programa passa por uma fase de reestruturação e caminha para um formato mais independente, sem apoios e parecerias. Por isso, se desejar fazer as oficinas ou hospedar na casa dessas pessoas, sugiro que entre em contato diretamente com os mesmos.

Receptivo familiar: Ivanete (38) 3739-3020

Oficina de quitandas: Maria da Conceição (38) 3739-3025

Antecedência de reserva: 5 dias

Preço: Sob consulta

Sinal de telefone: nenhum

selo vinte por centro

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8 Comentários

  1. Juliane
    26/10/2017 at 23:18 — Responder

    Olá, Cris! Parabéns pelo blog e por compartilhar suas experiências. Tenho uma dúvida: Quero muito de conhecer o Vale do Jequitinhonha, como vc se locomoveu de uma cidade para outra? Carro próprio, alugado, caronas, a pé ou transporte público?

    • 03/11/2017 at 11:08 — Responder

      Olá Juliane, eu fui com ônibus e em alguns lugares contratei um transfer local.

  2. Daniel Renaud
    28/11/2014 at 7:18 — Responder

    Mais uma vez parabéns pela iniciativa!
    Lendo seus texto e vendo as fotos fiquei morrendo de saudades deste lugar incrível!
    Em especial de seres humanos maravilhosos como Dona Mici ou Dona Conceição!
    Nota 1000!
    E fato que ir pra Cachoeira é sinonimo de comer muito bem e engordar uns quilinhos, realmente inevitável…

    • 28/11/2014 at 12:15 — Responder

      Minhas lembranças de Cachoeira do Norte sempre são dos cafés e pães de queijo feitos na hora. hahaha

  3. 15/10/2013 at 14:09 — Responder

    Pois é Cris, muito bom o teu texto!!! Adoro teu envolvimento com a comunidade!!!
    Imagine que existem muitas cidades assim no interior do Brasil. Lugares que padecem de recursos básicos. Habitados por pessoas sofridas, que dão sua importante contribuição para a construção de nosso país, mas infelizmente são excluídas do processo na hora de receber os benefícios que lhes pertencem, por direito. Progredir aqui não se trata de tirar o sossego de vilarejos, nem transformar casas de adobe em pequenos palácios ou descaracterizar culturalmente as comunidades. Trata-se sim de oferecer condições dignas de vida a estes brasileiros, aproveitando o potencial de suas localidades. Desculpe o desabafo…rsrsrsrs. A iniciativa do projeto é digna de aplausos.
    Beijos

    • 15/10/2013 at 21:20 — Responder

      Cid, seus desabafos são sempre bem vindos por aqui, saiba disso. Completando (e concordando) com seu comentário, também acredito que progredir não se trata de alterar o tradicional e muito menos de resgata-lo. Temos que manter e valorizar esses pequenos atos, e assim começar a ver beleza nas coisas mais simples da vida. Estamos caminhando a passos lento para um turismo mais humanizado, onde o visitante vivencie o contato direto com as comunidades locais. Mas, pelo menos estamos caminhando. No seu tempo as pessoas encontrarão, também, nessa forma de viajar um alento para outros tipos de viagem. Beijos

      • 15/10/2013 at 22:08 — Responder

        Obrigado Cris!!! Continue realizando este trabalho magnífico!!! Aos poucos, o despertar chegará mais longe e o turismo humanizado será valorizado de fato!!!
        Beijos
        Te aguardo em Palmas

        • 15/10/2013 at 22:25 — Responder

          Eu que agradeço! Você tem contribuído muito para o blog. Beijos

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