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Viajar transforma nossos hábitos alimentares! Surgem sabores, aromas, cores e novos temperos surpreendentes! Mas também existe um outro lado, às vezes fica bem difícil – principalmente quando viajamos de mochila – encontrar alimentos saudáveis, fáceis de serem transportados (pois amassam e estragam), principalmente vegetais. Orgânicos então nem se fala! Vez ou outra nos pegávamos pensado:

– Como vamos fazer pra comprar legumes, estamos muito distante de mercados!

Ou até:

– Como é caro essa verdura aqui, já estamos há muito tempo sem comer folhas, legumes, frutas…!

Assim, viajando de canto a canto com o Coletivo Etinerâncias, tivemos uma descoberta importante em nossa vida.

Trabalhando pelo Brasil com comunidades tradicionais, recebemos um aprendizado fundamental para nossa autonomia alimentar, as PANCs. E foi entrando nas matas junto às comunidades, aprendendo a colher, preparar e nos alimentado delas, que começamos a nos apaixonar por essas plantas que facilitaram muito nossa vida e nos proporcionaram uma qualidade única e muito especial para nossa autonomia alimentar.

Mas o que são as PANC?

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As PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais, são plantas comestíveis, deliciosas e nutritivas, alimentos milenares, conhecidas por diversos povos ao longo de gerações e gerações e que apresentam uma excelente alternativa para uma alimentação orgânica.
São encontrados em todos as regiões do Brasil, muitas vezes consideradas ervas daninhas sem valor algum. Elas estão por toda parte! São encontradas e podem ser colhidas em qualquer trilha, matagal e até em lindos quintais e canteiros ou em brechas e fissuras nos concretos e asfaltos das cidades.
Conhecê-las pode trazer benefícios para nós, viajantes, pois além de não ter custo, elas são altamente nutritivas, orgânicas e muitas vezes substituem facilmente qualquer verdura convencional. Para isso escolhemos algumas PANC para apresentar pra vocês, plantas que sempre encontramos em nossos caminhos e podem ser comidas cruas ou que tem um fácil processo de preparação e armazenamento. Para comê-las basta usar a imaginação e inovar nas receitas. Damos aqui apenas algumas sugestões:

Malvavisco (Malvaviscos arboreus)

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Chupava o melzinho quando era criança e hoje ela compõe várias refeições! Gente essa plantinha é muito amor! Suas folhas e flores são comestíveis e quando secas, usadas em chás. As folhas novas e flores são consumidas em saladas, refogadas, salteadas. Usadas no preparo do arroz, polenta e caldos. As flores ficam deliciosas curtidas na cachaça, em geleias, em cobertura de bolos e doces dos mais variados. Considerada medicinal em várias culturas, possui folhas verde escuras. Ainda não há estudos suficientes direcionados ao malvavisco, mas as folhas dessa coloração costumam ter fibras, vitaminas A, B, C, K, além de minerais como Cálcio, Ferro, Magnésio e Fósforo entre outras propriedades.

Tanchagem – Vamos nos referir aqui há duas espécies (PLANTAGO AUSTRALIS e PLANTAGO MAJOR)

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É remédio, a gente sabe! Mas também é comida e das boas! E ainda tem mais, uma das espécies (Plantago lanceolata) tem sabor de cogumelos, fica a dica! Poderíamos fazer um post inteiro só sobre seu uso, propriedade alimentícias e medicinais, mas vamos deixar pra próxima! Folhas secas são usadas para chá. As folhas mais novas (com menos veios) são refogadas, fritas, empanadas ou branquiadas para saladas. Podem ser usadas para purê, bolinhos e pães. Os brotos são especiais e as sementes podem ser consumidas cruas e são usadas como gergelim e chia em pães e bolos ou acrescentadas em cereais. As sementes são ricas em Cálcio, Ferro, Magnésio, Manganês, Zinco, Boro. As folhas possuem vitamina C, K, Ômega 9 e 6.

*Aconselha-se consumo moderado em casos de amamentação e gravidez. Seu pólen pode causar alergia.

Dente de Leão – Taraxacum officinale (Asteraceae)

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Você alguma vez já soprou seus botões e sementes? A gente gosta dela todinha sendo suas folhas medicinais. Seus botões florais fechados podem ser cozidos no vapor e incluídos em diversas receitas. As folhas novas são excelentes em sucos, saladas, empanadas, cozidas, salteadas, refogadas em caldos e etc. Além do pequeno detalhe de que ela contém proteínas, potássio, cálcio, ferro, magnésio, fósforo, grande quantidade de vitamina A, C e B6.

Capuchinha – Tropaeolum majus (Tropaeolaceae)

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Ela é inteirinha saborosa e medicinal: sementes, ramos, folhas, frutos e até as flores. Suas folhas são azedinhas meio apimentadas de um valor gastronômico que só ela (lembram um pouco a rúcula e o agrião). Muito saborosa, ótima substituta de alcaparras. Fica incrível em molho pesto, patês, picles, bolinhos, pizzas, sanduíches, pães, massas verdes, risotos, charutinhos, saladas, sucos, além do que suas flores enchem de charme qualquer mesa. Pra complementar ela é rica em ferro, cálcio, enxofre, potássio, ácidos graxos, vitaminas E, B e C.

Serralha – serralha L. (Asteraceae)

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A serralha tem sabor amargo próximo ao do espinafre. Estimula o coração e auxilia na digestão. Contém proteínas e tem alto teor de cálcio, magnésio, potássio, ferro, zinco, cobre (com nas castanhas e amêndoas) e vitaminas A, B, E, D e C. Existe também a serralhinha ou pincel de estudante (Emilia sonchifolia), deve ser usada com moderação, tem gosto de ervas, mas não é amarga além de ter propriedades medicinais. Ambas comem-se cruas em saladas e sucos ou refogada. Ficam ótimas em risotos e polentas!

Trevo (indicamos somente esta espécie oxalis latifolia)

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Vou contar uma coisa que toda criança já sabe. Trevos são comestíveis! Crus ou cozidos, suas folhas, flores e bulbos são azedinhas. Compõe sucos verdes, geleias, saladas. Possui resveratrol, também encontrado em vinhos.

*Não aconselhado o uso diário, especialmente para pessoas com problemas renais. .

Pixirica (Hirta Clidemia)

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A primeira vez que nos encontramos, nós e a pixirica, apesar da constante vontade de colocar na boca, ficávamos receosos pensando: “será que é de comer? Ah, não deve ser! Olha essa cor, esses cabelinhos, essa folha…”, Tudo o que ela toca fica azul. Mas logo depois descobrimos! Seus frutos podem ser comestíveis in natura e são 100% aproveitados. Provamos eles em sucos, geleias, bolos, pães e na salada! Além disso, ela é antioxidante e antiescorbúticos ricos em vitamina C, cálcio, magnésio e zinco! Além do que, cá entre nós, ela é uma delícia!

Vale lembrar que todos os alimentos aqui sugeridos precisam ser provados e é preciso observar como seu corpo reage. Então devem ser consumidos em moderação e com observação, porque podem causar eventuais reações alérgicas

Partilhamos com vocês também algumas experiências recentes, invenções do Etinerâncias de delícias que podem ser preparadas com as PANC:

Bolo PANC

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Temaki PANCplanta-Comestíveis-1

Faça a sua também e conta pra gente! 🙂

Essas e outras receitas podem ser encontradas no site do Coletivo e também na nossa página do Facebook: facebook.com/etinerancias 

Existe também uma plataforma maravilhosa que se chama kaaete, na qual você pode identificar, consultar e mapear as PANC! Imagine só, ao longo da viagem você pode ir em busca delas pelo mapa!
Também vocês precisam conhecer um movimento que se chama OtherFood, que vem articulando lindamente a cultura das PANC pelo mundo!

Última e não menos importante dica: Existe um grupo incrível de facebook sobre o tema chamado PANC – Plantas Alimentícias Não-Convencionais. Vale a pena conferir!

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6 Comentários

  1. Mara Silva Lima
    07/09/2017 at 22:07 — Responder

    Gostei e aprendi muito sobre PANC . Meu pai sempre usou muitas destas plantas em saladas.

    • 17/09/2017 at 11:20 — Responder

      Eu amo as PANCs, deveríamos saber mais o que podemos comer que está além das prateleiras do mercado.

  2. Sandro
    07/05/2016 at 19:17 — Responder

    Foi muito instrutivo e interessante conhecer pelo nome e as propriedades nutritivas de todas essas plantas aqui da flora brasileira que convivemos no dia a dia,obrigado!

    • 10/05/2016 at 22:03 — Responder

      Sandro ficamos muito felizes que você tenha gostado. Gratidão pelo comentário. Convidamos você a conhecer mais sobre nosso projeto. Sempre postamos nossas descobertas sobre o tema em http:://.facebook.com/etinerancias

  3. Ogro
    07/05/2016 at 14:35 — Responder

    Onde encontro este livro que aparece na segunda foto

    • 10/05/2016 at 22:34 — Responder

      Olá Ogro, o livro de referência na foto é dos autores Valdely Kinupp e Harri Lorenzi, lançado pela editora Plantarum com o nome “Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas, em 2014. Você encontra em diversas livrarias inclusive pela internet. É um livro bastante interessante. Indicamos.

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