A Cidade Perdida da Serra Nevada

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1949

A Ciudad Perdida ou Teyuna (Cidade Perdida), como é conhecida por seu nome indígena, está localizada a 80km de Santa Marta, capital do departamento de Magdalena, em uma altitude de 950 a 1.300 metros. Foi construída pelos índios Tayronas entre os séculos XIII e XIV, rodeada por uma selva densa, onde encontram-se ruínas em pedras do império Tayrona, que em perfeita harmonia fundem-se com a natureza ao seu redor.

Cidade Perdida da Serra Nevada

O lugar foi convertido como Parque Nacional com o objetivo de proteger os territórios indígenas dos descendentes dos Tayronas que até hoje vivem no lugar. Em 1981 foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade e atualmente é uma das maiores cidades pré-colombianas da América.

“A Serra Nevada é como uma casa cerimonial (…), é o lugar que concentra toda a responsabilidade com o resto do universo, é o lugar de onde se vigia e protege o sagrado e o vital para o planeta, é a base e a união com o espiritual. É o cordão umbilical que une a origem e o presente, o espiritual e o material, é a união com a Mãe.” Organização Gonawindúa Tayrona.

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História

Os antigos povos que viviam na Ciudad Perdida construíram um dos mais importantes assentamentos dos índios Tayronas, etnia dominante na Serra Nevada. A cidade, com estrutura circular, era cercada por um complexo sistema de canais que transportava água por diversos setores. Acredita-se que o local foi um grande centro político e econômico e onde viviam cerca de 4 mil pessoas.

A antiga civilização tinha cerca de um milhão de pessoas e foi diminuído até desaparecer completamente com a chegada dos espanhóis no século XVI. No entanto, os Tayronas deram origem aos cinco atuais grupos indígenas da Serra Nevada: Arhuacos, Koguis, Kankuamo Wiwas e Chimilas.

A Ciudad Perdida tem cerca de 180 estruturas gigantes, chamados de terraços que variam de forma e tamanho – e nem todos foram escavados. Segundo os indígenas locais, cada terraço corresponde a um arquétipo masculino e feminino. Há também muros, caminhos e escadas de pedras perfeitamente encaixadas. Abaixo dos terraços foram encontrados vestígios dessa civilização antiga, como vários tipos de cerâmicas, objetos de ouro e joias com pedras semi preciosas. Alguns desses objetos estão expostos no Museo del Oro de Santa Marta e no Museo del Oro de Bogotá.

A Cidade Perdida ficou encoberta por quase 400 anos e só no começo dos anos 70 foi descoberta por guaqueros, como são chamados os saqueadores de sítios arqueológicos, a partir daí muitos outros saqueadores de tumbas descobriram o local. Somente em 1976 o governo enviou soldados para proteger o local de saques. Infelizmente os saques continuaram por anos e muitos utensílios foram roubados, dificultando ainda mais o desvendar da civilização. Durante esse período o lugar era chamado de “Inferno Verde“.

Um fato histórico interessante é que os índios Tayronas foram a primeira cultura indígena avançada a encontrar os espanhóis em 1499. Foi na Serra Nevada que os conquistadores ficaram encantados em ver ouro pela primeira e foi nessa região que nasceu o mito de El Dorado.

Ainda não encontraram registros escritos para tentar desvendar os mistérios que cercam o lugar. Qual é a sua origem? Como viviam? Quais eram seus ritos? Os registros que se têm são por meio de pesquisa do que restou e pelas histórias orais, passadas pelos anciões de grupos étnicos existentes, e das quais não se pode comprovar sua veracidade. Seus rastros se perderam para sempre no tempo…

Segurança

A Ciudad Perdida também vive seus momentos de conflitos entre indígenas, guerrilheiros, paramilitares e exército. Quem escolhe fazer a trilha deve estar ciente da existência desses grupos no local. É normal cruzar com algumas pessoas desses grupos durante o percurso. A presença deles é tão forte que em 1984 as lideranças fizeram um acordo de paz para preservar a zona da Cidade Perdida, como uma área livre de qualquer tipo de ataque. Em 2008 o exército retirou os paramilitares da zona e patrulha toda a área, garantindo a segurança dos visitantes (o que não impediu que 8 turistas fossem sequestrados e mantidos em cativeiro em 2003).

São poucas as agências que fazem esse trajeto e as mesmas têm base em Taganga e Santa Marta. A melhor maneira de escolher uma agência é perguntando para viajantes que fizeram o percurso recentemente.

Atenção: Não é permitido ir até a Cidade Perdida por conta própria ou contratar um guia independente e irem sozinhos.

Valores e o que está incluso

O preço varia de R$1.000 a R$1.500 para 6 dias de caminhada. No valor estão inclusos transporte, alimentação, alojamento (redes e/ou camas com mosqueteiro), guias e todas as permissões necessárias para transitar. Os grupos são compostos por no mínimo 4 pessoas e na alta temporada sai um grupo por dia.

Cidade Perdida - Nosso "grupão", único em
Nosso “grupão” único após 15 dias de espera para fechar.

A trilha

Há duas maneiras de chegar até a Ciudad Perdida, mas na prática só existe uma: caminhando. A outra opção era de helicóptero, que foi suspenso pelo preço alto e falta de procura. A caminhada dura 6 dias — incluindo ida e volta — e não existe opções mais fáceis, é um caminho único. O ponto de partida para a caminhada é em El Mamey, limite de acesso de carro. O nível de dificuldade é alto e exige o mínimo de preparo físico. São 3 dias de ascensão até a Cidade Perdida percorrendo cerca de 40km.

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O primeiro dia é um dos mais puxados passando por trechos com muita subida, sob um calor escaldante da selva colombiana. Se estiver chovendo prepare-se para caminhar na lama! Apesar da chuva ser frequente durante todo o ano na região, o período de seca vai do final de dezembro até o início de março. Durante o percurso, a maioria dos guias oferecem frutas como melancia, abacaxi e maçã para hidratar.

Do segundo ao terceiro dia vivi momentos de profunda conexão com a natureza adentrando na selva cercada de mistérios. As paradas para banho na cachoeira aliviam o calor e o contato com indígenas, com seus olhares curiosos, se torna mais íntimo. No trajeto cruzamos 9 vezes o Rio Buritca.

No quarto dia chegamos até a primeira escada de acesso da Cidade Perdida, com seus 1.260 degraus, cobertos de musgos.

Parada para hidratar.

Para dormir esqueça o conforto da cama, pois as pernoites serão em redes e/ou colchões em barracas. Os alojamentos são bem rústicos e simples – todos administrados por pequenas famílias indígenas. Banho quente? Esqueça. Talvez tenha sorte de pegar um alojamento com chuveiro — que também não é lá essas coisas, caso contrário o banho será na caneca ou no rio.

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Um dos maiores alojamentos do percurso
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Promeiro alojamento: redes com mosqueteiros
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Alojamento do terceiro dia: “luxo” com colchão

Cuidado ao caminhar sozinho(a) pela selva, apesar de ser uma paisagem familiar, é muito perigosa. Existem muitas animais peçonhentos como serpentes e escorpiões. Inclusive, no segundo dia nosso guia foi picado por um escorpião.

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La Ciudad Perdida

Apesar de ser considerada a “Machu Picchu da Colômbia” nada se compara ao sítio arqueológico do Peru. Não crie expectativas achando que vai encontrar algo parecido, longe disso. A Cidade Perdida da Colômbia além de menor, não tem ruínas. Aquela frase que diz que “o caminho vale mais que o destino”, se aplica aqui!

Quando cheguei no principal terraço da Cidade Perdida fiquei extasiada, é algo inexplicavél! Tudo muito sutil e misterioso, nesse terreno quase intocável. Em um momento me afastei do meu grupo, sentei sozinha em um canto para contemplar a grandiosidade daquele lugar. Parecia um lugar fora do tempo. Muitas pessoas não fazem ideia que esse lugar existe e outros não têm ideia da sua importância. Ali parece que o vento soprava diferente, como se desejasse nos contar sobre os segredos, oculto no coração da selva entre montanhas e rios.

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RESUMÃO

Localização: Está localizada a uma hora de Santa Marta e o início da trilha fica no povoado de El Mamey, a 12km de Santa Marta. O deslocamento já está incluído no pacote.

Onde dormir: Em redes e/ou colchões em barracas nos acampamentos, que já dispõem de lençóis ou cobertores. Recomendo levar um saco de dormir porque nem sempre estão tão limpos.

Dificuldade: Não é o trekking de dificuldade extrema, mas exige bom condicionamento físico.

Melhor época: Chove durante todo o ano na região. As chuvas ficam mais amenas de dezembro a início de março. A temporada de chuva mais forte é de outubro a novembro.

O que levar: O mínimo de peso possível. Leve somente o necessário para não carregar um peso desnecessário, pois a caminhada será puxada. Não esqueça alguns itens, como:

    • lanterna;
    • protetor solar;
    • repelente;
    • calçado confortável (melhor que seja impermeável);
    • roupas leve e de secagem rápida;
  • saco de dormir, se achar necessário

Você poderá recarregar câmeras em alguns acampamentos.

Dicas extras

    • Tomar vacina contra febre amarela;
    • Em algumas épocas do ano a Ciudad Perdida fecha para visitação. Consulte com as agências locais;
  • Não fotografe os indígenas sem pedir permissão. Por razões culturais e religiosas muitos não gostam de serem fotografados.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Oi Cris, estou querendo ir para a Ciudad Perdia agora em fevereiro, você me indica agência ou contato de lá para saber onde ficar, guia, etc, etc … acho que vou sozinha e sou mulher … tudo bem ?
    Obrigada,
    Flávia

    • Olá Flávia, infelizmente não lembro o nome da agência que contratei, mas em Santa Marta você encontrará várias opções. Pergunte para outros viajantes que encontrar por lá quais eles recomendam. Eu fui sozinha e não tive problemas pq toda saída é com grupos.
      Boa viagem!!!

  2. …. em um trekking que dura de 5 a 6 dias, incluindo ida e volta, caminhando em média de 3 horas por dia, no total de 38 km. O nível de dificuldade é alto e exige o mínimo de preparo físico.

    achei estranho porque se caminha tão poucas horas? não poderia ser 3 pela manhã e 3 a tarde? reduziria a trilha em 3 dias. e a volta? bem interessada em ir numa logística mais adequada ao perfil do meu grupo….anda prá caramba e tem que trabalhar…viagens rápidas e pé na trilha…..

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