Dicas do que conhecer em Bonito

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Bonito está localizado no Mato Grosso do Sul e é um dos destinos mais cobiçados do turismo no Brasil. Em 2018 ele foi eleito pela 15ª vez como “Melhor Destino de Ecoturismo” do país, pela revista Viagem e Turismo. Em 2019, durante a 19ª Cúpula Mundial do World Travel and Tourism Council (WTTC), foi finalista do prêmio internacional de sustentabilidade, concorrendo com atrativos da Filipinas e Caribe.

A região é considerada uma referência de destino ecoturístico e de preservação ambiental no país. Rios de águas transparentes, cavernas e cachoeiras fazem desse cenário um lugar inesquecível de se visitar. Bonito faz parte de um complexo turístico na região da Serra da Bodoquena, que inclui também a cidade de Jardim, onde está localizado a Lagoa Misteriosa.

Como chegar?

Bonito está localizado a aproximadamente 290 km de Campo Grande, capital do estado. A maioria dos visitantes chegam pelo o aeroporto de Campo Grande e seguem com o transfer até Bonito. No entanto, também é possível chegar voos diretos, operados pela Azul Linhas Aéreas, saindo de Viracopos.

É caro viajar para Bonito?

Durante minha estadia por lá essa foi uma das perguntas que mais recebi pelo Instagram. Bom, é importante dizer que Bonito não é um dos destinos mais baratos para se visitar no Brasil. O que justifica os valores são os altos custos com os projetos de manejo e contratação de equipe qualificada (biólogos e ambientalistas) para que o destino se mantenha dentro das normas do modelo internacional de Turismo em Desenvolvimento com Práticas Sustentáveis. Além disso, em todos os atrativos é obrigatório o monitoramento de guias habilitados e os passeios como de flutuação oferecem todo o equipamento: roupa de neoprene, máscara, tubo snorkel e botas.

No entanto, vale ressaltar, que o destino têm diferentes opções de passeios, sendo acessível para todos os bolsos. Uma dica para economizar e não deixar de conhecer esse paraíso, é se organizar com antecedência e viajar durante a baixa temporada.

 

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Qual é a melhor época?


Dois fatores são fundamentais para se levar em consideração ao escolher a data para conhecer Bonito: estação do ano e temporada. ⠀

A melhor época, com muito calor, é de dezembro a março. No entanto, é a alta temporada e os preços são mais altos. De março a junho (exceto nos feriados) começa a baixa temporada e os valores ficam mais em conta. ⠀

⚠️ Alguns locais oferecem descontos para os meses de MAIO e JUNHO, consideradas baixíssima temporada. Junho começa o frio, mas é no inverno que as águas ficam mais cristalinas. ⠀


Todos os passeios têm limite de visitação é necessário que as reservas sejam feitas com antecipação mínima de 60 dias.


VERÃO (dezembro – março): Muito calor durante o dia e a noite, mas nessa época as águas ficam bem mais geladas, mesmo com o sol forte. Os picos de temperatura podem alcançar 44°C. No verão pode haver chuvas esparsas ao longo do dia.

OUTONO (março – junho): Nessa época a temperatura é mais amena durante o dia e faz um friozinho à noite. A paisagem fica bem verde e as águas bem cristalinas.

INVERNO (junho – setembro): É o período de seca e geralmente, faz frio à noite. Durante o dia a temperatura aumenta bastante e devido a pouca incidência de chuva, as águas ficam ainda mais cristalinas. Durante esse período leve agasalhos pois pode haver mudanças bruscas de temperatura, principalmente pela manhã e à noite.

PRIMAVERA (setembro – dezembro): As paisagens começam a florescer, poucas chuvas e águas cristalinas. Até outubro os ipês colorem a paisagem.


ATENÇÃO!
Meados de abril ao final de setembro é a temporada de visitação da Lagoa Misteriosa.


É obrigatório fazer os passeios com agência?

Não é obrigatório fazer os passeios com a agência, mas você precisa comprar os ingressos dos atrativos com elas. Não é possível visitar os locais por conta própria, indo diretamente na portaria e comprando na hora. É necessário passar pela agência, comprar lá e apresentar o voucher em cada lugar que for visitar. Dessa forma, os atrativos conseguem se organizar com o controle de visitantes. Na alta temporada os principais passeios devem ser agendados com antecedência mínima de até 2 meses.

Os preços são tabelados. Ou seja, todas agências vendem pelo mesmo valor. O que difere de uma para outra é a qualidade de serviço e as formas de pagamento. Fiz todos os passeios com a Bonito Way, o melhor receptivo de Bonito com plantão 24 horas para atender o cliente na hora que ele precisar. Super recomendo!

Roteiro de 5 dias⠀

Bonito é um destino que você pode voltar várias vezes e sempre conhecerá algo novo. São mais de 50 atividades cadastradas com opções de grutas, flutuação em nascentes, flutuações em leito de rio, trilhas, cachoeiras, balneários, esportes radicais, rapel, mergulho e cavalgadas.

Meu roteiro foi de 5 dias e nesse tempo consegui conhecer alguns dos principais atrativos da região. Confira os lugares que visitei:

1. Gruta do Lago Azul

Sem dúvida é um dos cartões postais de Bonito. A trilha para chegar até a gruta é de apenas 250m + 300 degraus de escadaria até o mirante do Lago Azul. Mesmo em dias nublados a água tem uma tonalidade intensa de azul, cercada por estalactites formadas há milhões de anos.

  • Obrigatório: capacete (incluso) + calçado fechado
  • Tempo de atividade: 1h40
  • Distância de Bonito: 21 km

2. Gruta de São Mateus

Essa é uma das grutas mais próximas da cidade e conta com formações geológicas variadas como estalactites, estalagmites, travertinos, corais e nichos de calcário. O percurso tem apenas 150 metros, mas a caminhada pelo interior da gruta dura aproximadamente 1h30. Você nem vê o tempo passar. Na recepção encontra-se um pequeno museu que conta um pouco da história da cidade.

  • Obrigatório: capacete + luvas (inclusos) + calçado fechado
  • Distância de Bonito: 3,5 km

3. Flutuação no Rio Sucuri 

A flutuação no Rio Sucuri tem 1.900 metros, se deixando levar pela correnteza, observando a flora subaquática e vários cardumes de peixes. Aqui tem um barco de apoio que segue acompanhando os visitantes durante todo o percurso.

O Rio Sucuri é considerado um dos rios mais cristalinos do mundo. A incidência dos raios solares na água formam um cenário de beleza única, contrastando com a tonalidade azul clara da água.

  • Obrigatório: roupa e bota de neoprene, colete salva-vidas, máscara e snorkel (inclusos)
  • Tempo de atividade: 2h
  • Distância de Bonito: 19,5 km

 

4. Rio da Prata

O percurso inicia no Rio Olho D’água e a partir dali são 2.200 metros de flutuação passando por nascentes e ressungências. Essa flutuação dá a sensação de estar em um aquário natural. No final do percurso é possível realizar apneia no local onde ocorre o fenômeno da ressurgência, chamado de “Vulcão Olho D’Água.

  • Obrigatório: roupa e bota de neoprene, colete salva-vidas, máscara e snorkel (inclusos)
  • Tempo de atividade: 4h
  • Distância de Bonito: 51 km

5. Lagoa Misteriosa 

A Lagoa Misteriosa fica no fundo de uma dolina; uma depressão circular que se forma a partir do deslocamento de solo e rochas do teto de uma caverna. A origem do nome é devido à falta de informação sobre a real profundidade da lagoa. O máximo alcançado foi foi 220 metros, em 1998, com mergulhador Gilberto Menezes de Oliveira. A Lagoa Misteriosa é considerada a caverna inundada mais profunda do país.

O que também chama atenção ali é a transparência da água, cor azul turquesa, que possibilita uma visibilidade impressionate! O calcário das rochas são responsáveis por deixar a água tão cristalina, pois eles filtram todas as impurezas e fazem desse passeio um dos mais incríveis da região.


Leia o post completo da Lagoa Misteriosa aqui.


  • Obrigatório: Colete salva-vidas, máscara de snorkel (inclusos)
  • Tempo de atividade: 2h
  • Distância de Bonito: 51 km

6. Nascente Azul

Das flutuações esse é um dos poucos lugares que é permitido retirar o colete e fazer apneia. A Nascente Azul é um dos rios com a colorações mais azul de Bonito. Durante todo percurso é possível ver muitos peixes.

  • Obrigatório: roupa, papete crock, colete salva-vidas, máscara e snorkel (inclusos)
  • Tempo de atividade: 1h30
  • Distância de Bonito: 34 km

7. Estância Mimosa

São 3.500 metros de trilha pela mata ciliar, à beira do Rio Mimoso com paradas para banho em várias cachoeiras, sendo que em uma delas você chega através de um barco a remo. Um dos pontos de parada é na cachoeira com uma plataforma de 6 metros para saltar. Depois do passeio não deixe de provar o doce de leite, considerado o melhor da região.

  • Obrigatório: Calçado fechado
  • Tempo de atividade: 4h
  • Distância de Bonito: 25 km

8. Boca da Onça

O percurso da trilha é de 4 km, passando por 8 cachoeiras, sendo 4 para banho e as demais para contemplação. Uma das mais bonitas do trajeto é a Cachoeira Boca da Onça, com 156 metros, a maior do estado. Prepare-se para descer ou subir, dependendo de onde começará a trilha, por 886 degraus do Cânion do Rio Salobra! Se você curte aventura, o Rapel Boca da Onça é o maior rapel de plataforma do Brasil, com 90 metros de pura adrenalina! Esse passeio é opcional.

  • Obrigatório: calçado fechado
  • Tempo de atividade: 5h
  • Distância de Bonito: 61,5 km

9. Boia Cross – Bonito Aventura

A trilha é de 1.600 metros através da mata ciliar do Rio Formoso e Formosinho até o ponto onde começa a descida do boia cross pelas corredeiras do Rio Formoso. A descida é feita com boias individuais com acompanhamento de dois condutores. Todo o trajeto tem 1.900 metros, passando por 6 corredeiras, sendo o maior percurso da região.

  • Tempo de atividade: 2h
  • Distância de Bonito: 6,5 km

10. Taboa Fábrica de Encantos

Tour pela fabrica da Taboa, a mais famosa cachaça da região. Nesse passeio você conhece a história e curiosidades sobre a fundação do lugar, a cachaça, conhecerá suas misturas e até a confecção das garrafas e artesanatos produzidos no local. O tour é finalizado com a degustação de mais de 20 variedades de cachaça.

  • Tempo de atividade: 2h

Para chegar nos locais de passeio é necessário carro próprio, alugado ou contratar um transfer local. Recomendo ir com o transfer da Bonito Way pois alguns deslocamentos são grandes e o retorno é sempre bem cansativo.


Onde comer?

No centro da cidade você encontrará várias opções de restaurantes, desde a culinária local até pratos internacionais. Uma iguaria servida em alguns restaurantes são os pratos com carne de jacaré. Inclusive, é possível provar até o famoso sanduíche x-jacaré.

Dica: Em todos os restaurantes que jantei os pratos para uma pessoa eram super bem servidos, daria facilmente para dividir por duas. Se estiver com pouca fome compensa dividir um prato individual.

Casa do João: Esse é praticamente um ponto turístico da cidade, principalmente pela decoração super charmosa do lugar. Bar e restaurante dos proprietários Seu João e a Dona Davina, que muitas vezes recebem os visitantes pessoalmente. Dentre os pratos destaca-se a traíra sem espinha, além de uma grande variedade de porções, caldos, carnes e peixes.

O Casarão: Oferece o maior buffet self-service da cidade, mas também têm pratos à La Carte e rodízio de peixes. Para as noites frias uma ótima opção são os caldos servidos no restaurante. A comida é caseira, super bem temperada!

Restaurante Tapera: Ótimo custo benefício para comer bem. No jantar há opções a la carte e degustação de cachaça com Guavira, fruta típica da região. O atendimento é super rápido, mesmo em dias de lotação.

 

Onde se hospedar?

Fiquei no Hotel Pousada Águas de Bonito, ideal para quem busca uma hospedagem confortável, de fácil acesso e com um preço acessível. Ele está localizado a 1 km da estação rodoviária e oferece estacionamento privativo gratuito para os hóspedes.

Os apartamentos são divididos em: luxo, luxo superior e luxo especial. Todos equipados com ar condicionado, TV 32″, frigobar, telefone, cofre digital e secador de cabelos. As duas últimas categorias dispõe de cama box Queen Size. Os apartamentos são super espaçosos e atendem famílias de até 4 pessoas.

Além disso, conta com uma área externa com um lindo jardim e área de lazer coberta. No restaurante servem pratos à la carte até 21 horas. Uma ótima opção após o dia de passeio e não precisar sair da pousada para jantar.

Na diária estão inclusos café da manhã e a Merenda Pantaneira, um chá da tarde regional super bem servido, das 16h30 às 17h30.

E a água com lama nos rios em Bonito? Como é na época de chuva?

Antes de mais nada é muito importante dizer que não são os “rios” tomados pela lama e sim, um único rio que vem sendo afetado na época das chuvas, que é o Rio da Prata.

No entanto, essa questão vai muito além da problemática que interfere na sua vivência com destino. Veja bem, a chuva não atrapalhará sua experiência. Claro que pode acontecer de um passeio ou outro ser interditado durante esse período, mas por uma questão de segurança, pois o nível do rio sobe e as águas correm com mais força. Normal, isso é da natureza. Outro fator do motivo para o cancelamento de um passeio é a incidência de raios e ventos; que pode ocorrer e isso também é normal. O fato de chover não é motivo de cancelamento ou interdição de um passeio. Mas sim, a consequência de tudo que envolve o volume das chuvas. Certo?

Não se preocupe, mesmo em épocas de chuva é possível aproveitar Bonito. Caso esteja chovendo e as condições climáticas não estiverem favoráveis durante a sua estadia, fique tranquilo, seu passeio certamente será remanejado. Lembrando que na região têm mais de 50 atrativos, além da Serra da Bodoquena e o Pantanal, que ficam muito próximos.

O que não dá para “tampar o sol com a peneira” é a ausência de informações e diálogo sobre um grave problema ambiental que acontece na região e ameaça o Rio da Prata. É uma questão política, que caso não haja uma solução (real e efetiva) a curto e médio prazo pode colocar em risco a existência desse rio.

O período de chuvas que deixa o Rio da Prata turvo é de janeiro a março e a flutuação nesse local chega ficar interditada até por 1 semana. Passou a chuva o rio volta ficar cristalino e vida que segue? Não é bem assim. A água deixa de ficar turva, mas o problema continua existindo. A água turva nessa época é devido ao escoamento indevido das lavouras de algumas fazendas na região, fazendo com que a água da chuva escorra sobre a superfície (cheia de veneno), não permitindo que infiltre e seja armazenada no solo. Aí vem um rio de lama que desagua no Rio da Prata. E isso não é um problema de agora… No entanto, a situação vem se agravando cada vez mais principalmente pela diminuição das matas ciliares para dar acesso ao rio para o gado beber água e também, o crescente avanço das lavouras. Esse é o problema! 

A nascente do Rio do Prata está em uma aérea de vereda, ou seja, uma região alagada. Sua extensão é de quase 6 mil hectares, chamada também de brejão. Desde sempre, nas épocas de chuvas, as lavouras que estão dentro dessas aéreas ficam inundadas e dificultam a entrada do maquinário para colheita de soja e milho, predominantes no estado.

Baseando na Lei 1.374/2015 o governo, através de uma emenda, concedeu uma licença temporária para que os fazendeiros drenassem mais rápido as lavouras, evitando assim o “prejuízo” da colheita nessa época. Uma das maneiras utilizadas para essa drenagem foram as valas de escoamento de água da chuva. Essa “brecha” na lei deu para esses proprietários a liberdade para entrarem nessas aéreas de brejos e fazerem valetas para secar algumas aéreas especificas. Maaas, esses por sua vez, aproveitam e entraram além do “limite combinado para secarem novas locais de plantio, que inclusive, deveriam ser aéreas de APP (aérea de proteção especial) pois ali formam várias nascentes.

Como no Brasil a legislação e fiscalização ambiental é precária (e infelizmente amansa para a pecuária e o agronegócio) alguns proprietários dessas fazendas chegaram fazer (e ainda estão fazendo) mais de 40 km de valetas dentro de uma aérea de banhando, com a intenção de secá-lo. A parte mais triste disso tudo é que já conseguiram secar mais de 2 mil hectares, segundo informações do Ministério Público de Bonito, do IHP (Instituro Homem Pantaneiro) e SOS Pantanal. Pesquisas apontam que o Rio da Prata têm de 8 a 15 anos de vida, caso as autoridades politicas não tomem nenhuma medida eficaz para protegê-lo.

A cultura do agronegócio é muito forte naquela região, eu sei. Triste. Para se ter ideia, em 5 anos a área de plantio que era de 29,8 mil hectares, na região de Bonito, praticamente dobrou para 58,5 mil hectares, segundo a Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).

Voltando a questão da lama, hoje quem sofre com isso tudo é o Rio da Prata pois ele fica próximo dessas plantações e em alguns trechos passa entre o deserto verde de soja e milho. O mais lamentável é que não existe nenhuma garantia a médio e longo prazo para que esse impacto não ocorra em outros rios da região. Os impactos socioambientais causados pela agropecuária no Brasil é algo muito sério e expõe o descaso de políticos e empresários com o meio ambiente. E sim, precisamos falar disso, sobretudo em Bonito que seus principais atrativos estão espremidos em uma mata ciliar cercada por monocultura e gado. Obviamente, existem muitas pessoas que trabalham com o turismo local atuando para que esse impacto seja minimizado.

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