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A região da Patagônia Chilena, ao sul do Chile, guarda lugares de belezas únicas. Um desses locais é a ilha de Chiloé com suas igrejas construídas no século XVII, tombadas como patrimônios pela UNESCO. Ainda pouco explorada por brasileiros é um dos destinos preferidos dos chilenos, que viajam para lá principalmente no mês de fevereiro por ser a época mais quente do ano e o período de muitas festividades. 

Chiloé é um arquipélago composto por cerca de 30 ilhas, tendo como as duas maiores: Castro e Ancud. Essa região é a parte rústica do Chile com sua genuína cultura chilota. Tudo é muito simples, porém muito charmoso. Mas não se engane com a simplicidade do lugar, pois essa região têm muitas peculiaridades que só existem ali.

Conheça algumas curiosidades:

1. Tejuelas de alerce, arquitetura de madeira

A maior característica da arquitetura de Chiloé é o uso da madeira. Apesar da quantidade enorme de construções em palafitas, elas foram proibidas após o terremoto de 1960. As casas de palafitas são um dos ícones do arquipélago, formando um cenário único com sua estrutura incrível e caótica que seguram as famosas casas coloridas.

Mas o interessante é a solução para cobrir toda a sorte de edificações, em especial as residências populares, urbanas e rurais, são as tejuelas ou pizarillas: pedaços de alerce (madeira local), para revestimento das fachadas que se transformam em mosaicos geométricos e coloridos, dando um ar de casa de bonecas. Um trabalho artesanal e rico, herança de colonos alemães e da rica cultura de carpintaria naval indígena. O uso de tejuelas é bem característico no sul do Chile, mas em Chiloé alcançou um uso particular e simpático.

2. Igrejas declaradas como Patrimônio Mundial pela Unesco

São cerca de sessenta igrejas de madeira construídas pelo arquipélago, dezesseis foram declaradas Patrimônio Mundial pela Unesco e a maioria foi construída entre os séculos XVII e XIX durante as missões franciscanas e jesuítas. Algumas permanecem intactas e sem mudanças no desenho e na configuração de espaços.

Assim como as construções revestidas por tejuelas, essas igrejinhas possuem desenho pitoresco e particular. São feitas de madeiras, geralmente coloridas e com torres bastantes curiosas, algumas que lembram faróis. Essa mistura é resultado do espírito chilote e as ideias religiosas da época; que hoje são parte do que se conhece como Escola Chilota de Arquitetura Religiosa em Madeira

As igrejas são um dos principais atrativos do arquipélago, que contam com um importante valor histórico e cultural.

3. Nome de origem indígena

Como muitos outros destinos chilenos o nome da cidade possui origem indígena e Chiloé é um nome adaptado pelos espanhóis de Chillwe, palavra huilliche que significa lugar de chelles, no caso “lugar das gaivotas”.

As gaivotas estão por ali há séculos nas praias e por toda ilha. Aliás, aves são atrações à parte. O arquipélago é rota de várias espécies no verão, principalmente os pinguins, hóspedes ilustres e muito aplaudidos pelos turistas que fazem passeios até Las Pinguineras, ilhotas aonde milhares de famílias de pinguins se amontoam e se exibem com muito discernimento aos visitantes.

4. Batatas Chilotes

As condições do clima e do solo fizeram que em Chiloé exista duzentos e oitenta e seis variedades de batatas!  Toda casinha no campo tem sua plantação de batatas.

E acredite, as batatas nativas de Chiloé são patrimônio nacional chileno. Tem batata de várias cores: azuladas, amarelas, violetas e bicolores. Algumas são excelentes para substituir a farinha, já que esta vem do continente e é mais cara; outras são excelentes para fazer nhoque e capelete, por possuírem muita água em sua composição e outras, têm sabor ligeiramente doce e picante.

Mas as batatas são só a pontinha do iceberg. A culinária do arquipélago é mais uma manifestação do sincretismo huilliche e espanhol, que misturam terra e mar.  Um dos pratos conhecido é o Curanto, um cozido de mariscos e carnes, feito sobre pedras quentes e cobertos com camadas de folhas de nalca, embaixo da terra. Não deixe de provar!

5. Mitos e lendas de Chiloé

Universo à parte é a mitologia fantástica do arquipélago, os mitos chilotas são formados por lendas e crenças dos habitantes, que são parte do legado histórico e popular, refletindo conflitos entre seres da terra e do mar, além do sincretismo com a cultura espanhola.

É super curioso porque as histórias de personagens fantásticos prosperam até os dias de hoje e se mantem vivas devido o isolamento do arquipélago.

São seres como El Camahueto, animal fantástico parecido com o unicórnio por ter um chifre na fronte, mas que não é um cavalo, pois habita rios e lagoas pantanosas e seu corno possui qualidades mágicas e de cura. Creem em muitas bruxas e bruxos, com El Trauco e La Voladora, ele é uma espécie de duende deforme e feioso, enfeitiçando jovens e virgens (explicando váaaarias gravidezes indesejadas) e ela pode transformar-se em pássaro, só que para isso deixa seus órgãos e vísceras escondidos e se alguém os encontra e os possui, La Voladora ficará na forma de pássaro para sempre. E muitos, muitos outros seres fantásticos: Machuco de la Cueva, La Viuda, El Basilisco, El Piuchén, mas certamente a história mais contada é sobre a batalha das duas serpentes, a Cacaivilu a serpente do mal vinda das águas e a Tentenvilu a serpente do bem vinda da terra e deusa da fertilidade, envolvendo o arquipélago e sua criação.

Essa dualidade entre água e terra acompanha a cultura chilota em várias categorias, como na culinária por exemplo e é comum se deparar com réplicas ou interpretações desses seres fantásticos pelas ilhas, super curioso. Vale a pena visitar a Plaza de Armas de Castro, onde se encontram estátuas desses seres mitológicos com explicações de texto em baixo de cada uma.

Onde se hospedar em Chiloé?

La Minga Hostel: Um lugar para se sentir em casa. A proprietária, Camila Lisboa, é uma brasileira que deixou São Paulo para abrir um hostel nessa pitoresca região do Chile. Além de ótima localização, o hostel tem um ambiente super acolhedor e ainda conta com sala de TV com Netflix, para os dias chuvosos (que são muitos durante o ano). Conheça mais do hostel: La Minga

A origem do nome do hostel conecta com a história de Chiloé. Minga (ou minka) é uma palavra em quechua , pré colombiana, que significa “trabalho coletivo para o bem da comunidade”. Em Chiloé, a cultura é da tiradura, onde casas inteiras são deslocadas de um lado para outro, seja pelo mar ou por terra.

 

 

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