O melhor do Jalapão: dicas para conhecer a região

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O Parque Estadual do Jalapão é uma unidade de conservação integral à natureza de 158.970,95ha, localizado na região leste do Tocantins, que está espalhado pelos municípios de Mateiros e São Félix do Tocantins. O bioma predominante é o cerrado brasileiro, considerado um dos maiores blocos de vegetação nativa remanescente do Brasil.

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Cerca de 37,69% da população vive em zonas rurais. Toda a região está dentro de uma Unidade de Conservação Ambiental (UC) e as dunas estão protegidas pelo Parque Estadual do Jalapão. A acesso no local é gratuito e o horário de funcionamento é das 9h às 18h.

Uma viagem para o Jalapão é composta por diferentes paisagens: dunas, morros, rios, lagoas, cachoeiras, fervedouros, veredas, flora endêmica, formações rochosas únicas… Assim é essa região que representa um inestimável patrimônio natural do país.

O aeroporto mais próximo fica em Palmas, capital do Tocantins. De lá, você precisa seguir de veículo tracionado até o Jalapão. Prepare-se para longas estradas de terra que serão recompensados por uma paisagem única!

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Melhor época para visitar o Jalapão

O Jalapão pode ser visitado em qualquer época do ano. O clima é estável e as chuvas ocorrem em períodos bem definidos, de março a dezembro, com temperatura média anual de 30°C. Portanto, faz calor todo ano, propício para muitos banhos em águas azuis, transparentes, cristalinas dessa região. A seca é de maio a setembro. Nessa época, hidrate-se bastante pois a umidade do ar fica muito baixa. Em compensação, o cerrado capricha no pôr do sol durante esse período de estiagem, que é um espetáculo à parte. 

Como se locomover: de carro próprio? 4×4? a pé?

Talvez uma das maiores dúvidas daqueles que desejam conhecer o Jalapão é como chegar nos principais atrativos. Você pode optar em ir sem agência, mas não recomendo encarar o Jalapão sem um veículo 4×4, é praticamente se lançar na sorte de não chegar em lugar nenhum. As distância entre um ponto e outro é muito grande e não existe transporte interno. O terreno é difícil, todo em estrada de terra — com partes de areia — e quase não existe sinalização. Mesmo você indo com um veículo de tração, se não tiver habilidade para usar esse sistema, certamente terá problemas. É muito comum, principalmente em épocas de chuva, carros atolarem na estrada.

Conheço pessoas que já fizeram o Jalapão de carona, mas é algo beeeem mais complicado já que grande parte dos veículos que circulam por lá são de agências com turistas.

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Contratar uma agência faz toda a diferença!

Sei que muitas pessoas não gostam de contratar agências porque acham que o tempo fica corrido demais, não gostam de viajar com grupos grandes, é mais caro… Concordo, mas tem lugares que são mais fácies de ir sem agência como é o caso Chapada dos Veadeiros. E como dizem por lá, o “Jalapão é bruto” e não é para amadores.

Porém, se mesmo assim quiser ir por conta própria, recomendo pelo menos contratar um guia particular para te acompanhar durante o trajeto. Já ouvi relatos de pessoas (próximas) que ficaram dias viajando pelo Jalapão e conheceram muito menos porque não conseguiram chegar em alguns lugares.

Mais de 100 (CEM) agências atuam hoje no Jalapão e como escolher entre tantas? O meu critério foi o seguinte: busquei por uma agência bem avaliada e não estava entre as mais recomendada por “centenas” de blogueiros. Veja bem, se tem um monte de agências e todos os blogueiros recomendam apenas uma a chance dessa agência ser uma das mais lotadas é muito grande.

Por isso, escolhi a Encantos do Jalapão e não tinha como ser melhor! Nosso guia era super de boa com o tempo, não ficava nos apressando para ir embora e sempre íamos para os atrativos em horários alternativos. Por exemplo, a Cachoeira da Formiga que estava completamente vazia, em plena temporada:

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Meu roteiro: Jalapão – 7 dias

Qual é o tempo ideal para conhecer o Jalapão? Recomendo de 5 a 7 dias, pois é uma região que merece ser visitada com calma. Dá para conhecer em 2 ou 3 dias, dá? Mas qual é o sentido de viajar para uma região tão inóspita e só “passar” pelos lugares? Aproveite para conhecer todos os atrativos acessíveis: cachoeiras, fervedouros, dunas, trilhas…

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De amarelo, os lugares que conheci no Jalapão

O que inclui o pacote?

Os preços dos pacotes variam de acordo com a quantidade de dias. Os pacotes da Encantos do Jalapão incluem translado terrestre a partir de Palmas, hospedagem, alimentação, guia e entrada nos atrativos. As pousadas já são pré-definidas pela própria agência, mas se for fazer o roteiro de 7 dias não deixe de ficar hospedado no Jalapão Ecolodge, parceiros da agência Encantos do Jalapão.

O Jalapão Ecolodge tem proposta de hospedagem sustentável que integra a natureza como parte da experiência. Além das cabanas super charmosas, feitas de palha e buriti, há também uma opção de chalé com uma vista maravilhosa para o cerrado. No local ainda é possível fazer trilhas, ver o nascer do sol do Monte Catedral ou descer o rio de bóia cross.

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Leve dinheiro em espécie 

Nas cidades todos os estabelecimentos aceitam cartão. Durante o percurso no interior, leve dinheiro de preferência trocado para comprar lembrancinhas e outros pequenos gastos. O Jalapão não é um destino barato, mas uma das vantagens de ir com agência é que quase tudo está incluso no pacote. Eu gastei menos de R$100 com custos extras durante 7 dias.

Roupas e calçados

Se prepare para o calor, muito calor, em qualquer época do ano. Você passará muito tempo dentro do carro, por isso viaje sempre com roupas confortáveis. Para os passeios,  precisará praticamente de roupa de banho. Água é o que não falta para um mergulho refrescante.

Apesar do calor intenso, não esqueça de levar um casaco mais leve, no período de chuva a temperatura cai um pouco durante à noite.

  • Leve roupas leves para caminhar no sol;
  • Tenha sempre uma muda de roupas seca para trocar e seguir viagem;
  • O principal calçado por lá será chinelo;
  • Se for fazer a trilha do Espírito Santo use calçados adequados para trekking;
  • Não esqueça o chapéu ou algo para proteger o rosto do sol intenso.

Capim dourado

Uma das cidades de parada é Mateiros, que abriga comunidades descendentes de quilombolas. A mais conhecida (e visitada) fica no povoado de Mumbuca que está localizado a aproximadamente 30 km da cidade. Essa comunidade é famosa pelo artesanato de capim dourado vendido em todo país e até no exterior.

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O capim dourado, símbolo da região do Jalapão, é uma espécie de sempre viva, endêmica do Tocantins e Bahia. A tradição de transformar capim em arte foi um legado deixado pelos índios xerentes. A herança dos povos antigos, de trançar o capim, se mantêm viva até hoje e é com ele que muitas comunidades da região tiram sua principal renda. O capim dourado começa a nascer em abril e se desenvolve até julho. A colheita da planta acontece de setembro a novembro, na época de estiagem, quando as hastes estão maduras e completamente secas. Na época, também são colhidas folhas de buriti jovens — ainda não abertas , que são utilizadas para costurar o capim dourado.

No início, a atividade de produção era exclusiva das mulheres. A partir da década de 90, homens e crianças também começaram a confeccionar artefatos que são almejados por várias pessoas no mundo. A confecção de peças do capim dourado existe há mais de 80 anos e foi passada de geração em geração. Da planta são criados objetos simples como potes e pequenas caixinhas, até sofisticados acessórios assinados por grandes marcas.

Atrativos do Jalapão

Talvez as Dunas sejam o ponto turístico mais conhecido do Jalapão, não por menos, são bancos de areias douradas que podem chegar a 40m de altura. Diferentes de outras paisagens de areias formadas pela ação dos ventos, as dunas douradas do Jalapão são contornadas pela Serra do Espírito Santo e cortadas por um riacho. Uma vista que fica ainda mais bonita no pôr do sol. As subidas são sempre feitas no final do dia, quando a temperatura cai e a areia começa esfriar. Por preservação, é proibido ultrapassar o limite da parte que formam as dunas.

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Aqui dá para ver o limite. Todos os dias ficam fiscais no local para que nenhum visitante ultrapasse a linha.

 

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Cachoeiras sempre! Quem é do cerrado sabe, vai rolar “cachú”. E são muitas: Cachoeira das Araras antes no caminho de Novo Acordo, Cachoeira do Rio Soninho Pequena e Cachoeira do Rio Soninho Grande, Cachoeira da Roncadeira e Cachoeira do Escorrega Macaco, a caminho do Jalapão pela TO-030, Cachoeira do Lajeado, Cachoeira da Velha e Cachoeira do Formiga, as mais famosas.

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Cachoeira da Velha

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Essas duas últimas sempre estão nos pacotes das agências. A Cachoeira da Velha é o único atrativo do Jalapão que acho dispensável de conhecer. Para chegar até lá é necessário fazer um desvio grande para ver uma cachoeira que é bonita, mas nem tanto. Na minha opinião, tá bem? Se for para desviar tanto, sugiro trocar pela visita na Lagoa do Japonês, localizada nas Serras Gerais, que é sensacional! Já a da Formiga, apesar de pequena forma um poço cristalino de cor esmeralda, em meio a árvores, samambaias, palmeiras nativas, formando um cenário paradisíaco. Essa sim, é linda de ver, nadar…

 

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A região do Jalapão tem muitas cachoeiras e rios porque o Rio Novo é um dos maiores rios de água potável do mundo. Sabia?


Além das cachoeiras existem várias prainhas de rio, sendo a mais famosa a Prainha do Rio Novo, aliás, localizada bem perto da Cachoeira da Velha. A faixa de areia fininha dá o tom da água amarelada, cheia de pequenos peixes. Mas atenção: Não se engane com tanta calmaria, no meio do rio a correnteza é muito forte. 

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Prainha do Rio Novo

Fervedouros. Se existe algo incrível no Jalapão são os fervedouros! Eles são nascentes de rios subterrâneos, que formam pequenos lagos com águas cristalinas. Ao contrário do que muitos pensam a água não brota da superfície (de onde é possível ver as bolhas). A nascente está mais profunda e dizem que têm fervedouros de até 70 metros de profundidade. O que acontece é que abaixo do lençol freático existe uma rocha impermeável que não possibilita a vazão da água para baixo. Por isso, ela vem para cima com tanta pressão que provoca o chamado fenômeno da ressurgência, o que te impede de afundar. Por mais que se esforce, a pressão te empurrará para cima. Passe esse vídeo para o lado para ver como é essa sensação:

 

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O Jalapão é um dos lugares com maior a concentração de fervedouros do Brasil. São mais de 100 fervedouros catalogados, porém menos de 25 são abertos ao público. Eles são verdadeiros oásis, cercados de vegetação e com água azul cristalina. Eles são assim mesmo que vocês estão vendo. Ou melhor, são mais incríveis ao vivo. ⠀

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Fervedouro Encontro das Águas

Dos que conheci foram: Buritizinho, Alecrim, Bela Vista, Buriti, Ceiça, Encontro das Águas e Fervedouro Rio do Sono. Todos estão em propriedade particular e o preço do ingresso varia de R$10 a R$25 por pessoa. Esse ingresso já está incluso no pacote com a agência. Cada fervedouro tem uma capacidade de pessoas para entrar e tempo de permanência.

BURITIZINHO: esse é o meu preferido! Um dos menores e com a água mais azul que você verá nesse Jalapão. Apesar de pequeno ele tem o poço fundo e por isso, não tem a pressão da flutuação como os outros. Mas dá para mergulhar até onde começa a pressão da água. A sensação é incrível! Se você não sabe nadar, atenção nesse fervedouro pois ele não tem pressão suficiente como os outros. No local ainda tem o Rio Formiga, onde é possível nadar e fazer boia cross. Capacidade: 4 pessoas por vez.

 

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ALECRIM: A estrutura desse fervedouro é bem parecido com o Bela Vista, um dos mais famosos. Ele é bem circular e com uma deck de madeira para acesso à piscina. Ao contrário da maioria, esse não tem cor azul e sim, esverdeada. A pressão dele forma um círculo de areia perfeito em volta da nascente. Capacidade: 6 pessoas por vez.

BELA VISTA: Apesar de ser considerado um dos mais bonitos do Jalapão, esse foi o que menos gostei. Ele tem a maior piscina entre todos e é o único aberto para visitação noturna. Particularmente achei ele “gigante”demais! O fervedouro Bela Vista é também um dos mais estruturados e o local dispõe de hospedagem e restaurante. Capacidade: 10 pessoas por vez.

BURITI: um dos meus preferidos também. Ele tem a água vem verde, dependendo da posição do sol. O charme desse fervedouro são os buritis centenários que embelezam ainda mais o cenário. Visto de cima esse fervedouro tem o formato de um coração. O local dispões de um restaurante/bar. Capacidade: 10 pessoas por vez.

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Consegue ver o coração?

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Olha a transparência dessa água!

CEIÇA: Esse foi o primeiro fervedouro aberto para visitação no Jalapão. Ele tem uma das pressões mais forte e a sensação de flutuação é bem alta, aqui você vai experimentar a sensação de não conseguir afundar. Capacidade: 5 pessoas por vez. Tempo máximo: 15 minutos.

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ENCONTRO DAS ÁGUAS: Não subestime seu tamanho, ele é o mais forte de pressão de todos. Se nos outros é impossível afundar, esse daqui você vai consegue ficar sentado. É muito divertido tentar ficar em pé e ele te jogar para o lado, literalmente. Prepare-se também para entrar areia até na sua alma. A areia é tão fina, e a pressão tão forte, que é impossível não levar um pouco dela no corpo. Próximo dele está o encontro do Rio do Sono e o Formiga, por isso da origem do nome desse fervedouro. É incrível ver esse encontro que de um lado vem a água super azul do Rio Formiga, encontrando com a água dourada do Rio do Sono. Capacidade: 4 pessoas por vez.

Nem dá para imaginar que esse pequeno fervedouro é o mais forte de todos!
Veja a diferença na cor dessas águas…

RIO DO SONO: esse também é lindo! O mais bonito dele é o buriti que embeleza ainda mais o cenário do lugar. Nele existem mais de uma nascente e é uma delícia ficar apenas relaxando ali enquanto espera o almoço. Sim, o fervedouro do Rio do Sono fica nos fundos do Restaurante da Laide, que tem a melhor comida do Jalapão! Capacidade: 6 pessoas por vez.

Saindo das águas, se gostar de caminhadas se aventure na Serra do Espírito Santo, com seus 700 metros de subida íngreme, com o nível de dificuldade intermediário. Se a pessoa é acostumada com trekking e tem bom preparo físico, tira de letra a subida. Em alguns trechos têm cordas e degraus em pedras para facilitar a ascensão. É lindo ver o sol nascer do alto dessa grande formação rochosa, que te oferece uma outra perspectiva de vista para as dunas. 

O tempo médio de subida é de 50 minutos. No topo, a vegetação virgem do cerrado dá boas-vindas aos que chegam. Mas não pense que acabou! Quem animar, pode seguir caminhando por 3 km de trilha até o mirante, onde é possível avistar a parte erodida da serra que dá origem às dunas. No cume, a área é toda plana característica das chapadas. A vista é exuberante!

A Pedra Furada é um dos locais mais cobiçados para fotografar no Jalapão, especialmente no pôr do sol. Os buracos na rocha gigante formam molduras naturais. Ali vivem muitas maritacas e para não importuna-las é proibido voar drones.

Não poderia faltar o Cânion do Sussuapara, perto de Ponte Alta, na TO-255. Esse cânion  é formado por uma pequena fenda de aproximadamente 25 metros de profundidade. Paredões de rochas impedem que o sol chegue até o solo e o lugar é praticamente um santuário do “frescor” diante todo o calor que faz no Jalapão. A vegetação em volta do cânion é adaptada a climas úmidos com pouca luminosidade, as raízes penduradas nos paredões dividem espaço com samambaias nativas que parecem terem sido cuidadosamente colocadas ali.

O pequeno rio que cruza o cânion já teve muita água. Mas infelizmente, com o assoreamento das nascentes do Rio Sussuapara, está quase desaparecendo. O que sobra é um poço bem raso, formado pela pequena queda d’água de 5 metros. Na época de chuva o volume da água aumenta e o poço fica um pouco mais cheio.


Sussuapara é o mesmo nome atribuído para um mamífero do cerrado chamado de cervo-do-pantanal, vulgo veado. Sussuapara que deveria ser Suçuapara com “ç”, de acordo com a grafia indígena, vem do tupi-guarani que significa veado galheiro.


Ouvi dizer que esse o cânion é encantado. Dizem que lá habitam seres da mata que realizam desejos a todos aqueles que descem até suas águas. As pedrinhas brancas no chão são pedidos vazios, esperando que alguém encontre e as preencha com desejos. Até que alguém ache, as pedras ficam no chão, recebendo a energia da terra e fortalecendo os desejos que virão. Quando encontradas, devem ser levadas ao coração e emantadas com todo amor. Faça um pedido. Depois é só colocar a pedra no paredão e esperar que os seres encantados realizem seus desejos. Ah! Só vale um pedido por visita. Pense bem no que vai desejar.

A melhor parte de ir ao Jalapão é voltar sabendo que ele ainda está sendo descoberto tanto territorialmente quanto turisticamente. Muita coisa boa ainda irá acontecer por lá!

Ah, não posso esquecer de falar do mar. O mar de estrelas no céu da noite sem interferência da vida urbana. Sem palavras. Convido a todos para conhecer a Via Láctea a olho nu, do Jalapão, à noite, de bobeira, descansando depois de um dia de aventuras.

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