Juma Amazon Lodge na Amazônia: hotel de selva com conforto

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Construídos no meio da floresta, os hotéis de selva como o Juma Amazon Lodge proporcionam experiências únicas para quem deseja ter contato com a natureza sem perder o conforto. Alguns hotéis são tão luxosos que se comparam com as grandes redes de centros urbanos — com ar condicionado, água quente, banheira, televisão e até mesmo internet —, que na minha opinião acho um exagero tanta tecnologia em meio da beleza exótica da Amazônia.

Juma Amazon Lodge

Juma Amazon Lodge

A minha hospedagem foi por 3 dias no Juma Amazon Lodge e saí encantada com tudo! O Juma está numa reserva particular em uma área verde preservada de 7 mil hectares, que garante um ecossistema privilegiado para quem o visita. O hotel integra perfeitamente à natureza e foi baseado no mesmo processo de construção das casas dos povos nativos da região que utilizam os elementos da floresta para construir suas casas.

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O telhado é de folha de babaçu e toda a estrutura é montada sob palafitas que na época de seca deixam o hotel à 15 metros acima do chão — sobre a copa das árvores.  Toda vez que caminhava nas passarelas, com a água quase no nível, ficava imaginando como seria “sem” água. Não sei se é a melhor opção para quem tem medo de altura, mas com certeza deve ser outra sensação. Dá uma olhada na diferença do hotel na época de estiagem e na chuva.

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Vista do restaurante em diferentes épocas do ano.

Em uma conversa com a Cida, umas das proprietárias e fundadora do hotel, percebi que além da preocupação ambiental, também se preocupam muito com à preservação cultural. Por isso, apoiam projetos que beneficiam as comunidades ribeirinhas e incentivam a comunidade local a valorizar e preservar o meio em que vivem. Muitos dos moradores locais, também são funcionários do hotel.

Como quase toda região da floresta amazônica, 85% dos hóspedes são estrangeiros e a tarifa não é tão acessível para a realidade de muitos viajantes brasileiros. O custo da diária varia de R$803 a R$1.486, porém já inclui serviço de pensão completa, passeios com guia e translado desde o hotel em Manaus. E olha que o Juma nem é um dos hotéis mais caros da Amazônia…. Evelyn Lima, gerente comercial, justifica o preço pela dificuldade em manter um hotel no meio da floresta. Além do custo alimentação e combustível, quase tudo que chega até lá vem de Manaus.

“Nós tentamos oferecer o conforto, boa alimentação e uma experiência inesquecível aos nossos hóspedes. A logística dos hóspedes e de todo o material que precisamos para manter o bom funcionamento do hotel é realmente o mais encarece o produto.” 

Infraestrutura do

São 20 bangalôs com varanda e rede, sendo 8 com vista para floresta e 12 para o Lago Juma. Apenas 4 cabanas possuem água quente. No hotel não há piscina mas pode nadar em frente ao deck de acesso. E pra quê piscina se você tem toda a beleza do rio para se banhar? Internet e televisão também não têm, que, aliás, não faz falta nenhuma.

O restaurante tem vasto cardápio e cada prato é cuidadosamente explicado antes  pelo guia. A variedade de peixes é grande: tucunaré, surubim e até as piranhas pescadas pelos visitantes são servidas. Se você não gosta de pescados, há sempre uma carne ou frango de reserva. Um diferencial é ter a presença do guia à mesa. Achei muito bacana Kenrick — nosso guia — comer conosco e compartilhar suas histórias como se fossemos velhos amigos. A maior parte dos sucos são de frutas locais, de acordo com época.

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Vista do restaurante no Juma Amazon Lodge
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Foto: Roberta Martins | territorios.com.br

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A recepção também funciona como uma área de lazer com um pequeno bar, alguns jogos (cartas, gamão, xadrez, etc.), livros e um telescópio. Para descansar, há um redário cercado pelo rio. Um ótimo lugar para curtir a tranquilidade e ouvir os sons da mata.

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Passeios no Juma Amazon Lodge

O hotel oferece diversos passeios pela região que variam de acordo com cada pacote. Quanto mais tempo no hotel, mais tempo para aproveitar a selva. O pacote Uirapuru com 5 noites, por exemplo,  inclui um pernoite na selva e escalada em árvores.

Botos

Existem duas espécies de botos na Amazônia, os tucuxis — que nadam em grupos — e o solitário cor-de-rosa. Os botos são facilmente avistados em um simples passeio de barco pelo rio e quando aparecem, é sempre um alvoroço de quem o vê emergindo da água. Mas fotografá-los é uma missão quase impossível. Quando avistados, todas as pessoas tomam suas posições e tentam, em vão, tirar uma foto antes que o boto desapareça na água. A não ser que você seja um exímio fotógrafo, recomendo relaxar e aproveitar o momento.

Pôr do Sol

Um dos momentos mais lindos foi esperar o pôr do sol e visualizar uma quantidade incontável de pássaros que chegavam para pernoitar em uma pequena ilha, no ritual que se repete todos os dias.

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Caminhada na Floresta

Um passeio curto, mas é o momento de respirar o ar puro e sentir a força da floresta. No caminho o guia explica um pouco sobre as plantas e suas utilidades. Dentro da mata foi fácil encontrar algumas aranhas e alguns insetos, na sua diversidade de tons e espécies — inclusive os venenosos.

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Pescaria de Piranhas

Admito que não foi o meu passeio preferido. Dá uma pena das bichinhas… Mas é interessante conhecer o famoso (e temido) peixe amazônico. Após a pesca algumas piranhas são levadas e servidas no jantar para o grupo que pescou, e as demais são devolvidas para à água.

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Isca de carne para piranhas

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Focagem de Jacarés

Nem sempre é possível ver um jacaré, para avistá-lo depende do nível da água. Esse passeio é durante a noite e a única luz é da lanterna no guia, sempre direcionando o foco para as margens do rio. O facho de luz deixa os olhos dos animais brilhantes, denunciando sua exata posição na escuridão. O guia pega o animal mas logo devolve para a água com cuidado, para não jogá-lo com impacto no rio. Kenrick o coloca em uma boia e espera que o jacaré volte, no seu tempo, para o rio. Algumas espécies de jacarés correm risco de extinção, entre eles o jacaré-açu único na América do Sul. A caça desses animais é proibida.

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Nascer do Sol

O momento mais sublime de todos! Durante o amanhecer a selva desperta sem pressa. A cor do céu muda sob o canto dos pássaros. É indiscritível! Para cada momento uma cor, um som e um cheiro. Não tem como não se envolver com o momento e agradecer. Até mesmo o guia, já acostumado com beleza da paisagem, estava tão extasiado quanto nós. Incomparável!

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O olhar atento dos guias faz toda diferença!

Sempre saímos para os passeios de barco acompanhados pelo guia Kenrick — também conhecido de Jungle Boy — e o piloto Renato. Ambos com olhos treinados para descobrir bichos em qualquer lugar: em cima da árvore, na margem do rio, camuflados na mata… Os guias são tão acostumados com os movimentos e as formas da mata que até brincávamos que os bichos haviam sido colocados ali para o “turista ver”, tamanha era a impossibilidade de uma pessoa normal conseguir vê-los tão facilmente.

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Poucos mosquitos no Juma Amazon Lodge

A proliferação de mosquitos é muito pequena pois o hotel está localizado numa região com água negra do Rio Negro. A coloração escura do rio é devido à grande quantidade de ácidos orgânicos provenientes da decomposição da vegetação, que consequentemente deixam suas águas com elevado grau de acidez. Devido ao baixo pH, os insetos não se proliferam e quase não há mosquitos no local. O tom escuro das águas permite contemplar o espetáculo do espelho d’água que reflete toda a mata. juma-hotel-de-selva-61

Diárias a partir de R$ 969 no Juma Amazon Lodge.
Consulte no site: www.jumalodge.com.br

Booking.com

14 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de saber mais sobre esse lindo lugar, quero muito conhecer esse paraiso, sou de fortaleza ce, estou encantado com as paisagens vista aqui, lindo, momento de deus na minha vida….

  2. Apaixonei no blog!Moro no Japão e pratico capoeira então conheço muitos japoneses que vão para o Brasil buscando o que você posta aqui,conhecer a beleza da natureza e da cultura brasileira,e buscam contatos seguros.Estou feliz de encontrar alguém com trabalho sério assim posso recomendar a eles.Obrigada!!bjs

    • Olá Alessandra,
      como já deve ter percebido sou uma amante da nossa cultura. 🙂 Sempre que posso, destaco a importância de valorizarmos as belezas naturais e culturais do Brasil. Fico feliz em saber que a mensagem que estou tentando passar está chegando no outro lado do mundo. rsrs Beijo grande!

  3. Ah, ficou ótima a sua foto da aranha vermelha, demorou mas valeu a pena né. Eu ainda acho que o Kenrick colocava os animais em lugares estratégicos para gente ver, hauahuahuha.

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