Turismo Solidário: Campo Alegre e a arte de fazer bonecas de barro

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Em uma das regiões mais pobres de Minas Gerais, artesãs foram capacitadas para receber turistas e ensina-los a antiga tradição de fazer artesanato com barro, conheça um pouco mais sobre o turismo solidário em Campo Alegre

O Programa Turismo Solidário no Vale do Jequitinhonha foi um dos projetos que mais abracei em 2013. O citei nas minhas palestras, recomendei para os amigos e escrevi vários postagens aqui no blog. Quem ainda não conhece, recomendo visitar esse post Receptivo Familiar — Turismo Solidário possibilita vivenciar a rotina de comunidades no norte de Minas Gerais, para entender do que estou falando

Turismo solidário em Campo Alegre

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No distrito de Turmalina, conheci as mulheres responsáveis pelas famosas bonecas de barro, muito conhecidas como as Noivas do Jequitinhonha ou Noivas da Seca. Visitar essa região é uma oportunidade enriquecedora de ter contato com essa antiga tradição, passada de mãe para filha, oralmente. A maioria das artesãs nunca saíram de suas comunidades, mas são conhecidas no mundo pelo artesanato único que fazem, rico em detalhes e sem nenhum elemento artificial — das sementes são extraídas as cores. Da pobreza do Vale do Jequitinhonha vem a beleza do artesanato de barro.

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Nessa viagem tive a oportunidade de acompanhar de perto o fascinante trabalho dessas mulheres, pude conviver e aprender como transformar barro em arte. Qualquer pessoa pode ir para a região, ficar hospedado na casa delas e aprender o preparo do artesanato da maneira mais tradicional. Minha mentora foi Anísia, uma mulher incrível que me ensinou pacientemente cada passo da criação do artesanato.

Para chegar até sua casa não foi fácil. Peguei um ônibus até Turmalina, depois um táxi até a comunidade de Poço D’Água. Tudo por estrada de terra em uma região inóspita, totalmente fora da rota que poderíamos chamar de turística. Na casa, estavam apenas Anísia e sua filha de 13 anos, os homens haviam saído — há algumas semanas — para trabalhar na roça. Por muitos anos, as mulheres do Vale do Jequitinhonha eram conhecidas como Viúvas da Seca, pois ficavam sozinhas durante boa parte do ano quando os homens viajavam para trabalhar nos cafezais e canaviais. Essa dura realidade ainda é presente na vida de muitas das famílias que vivem no norte de Minas. No entanto, as mulheres “fazedoras” de bonecas hoje ocupam um importante papel, principalmente contribuindo com a renda familiar proveniente do artesanato.

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Para ficar hospedado na casas delas é muito simples, basta entrar em contato e marcar a data. O mais difícil é chegar, mas de Campo Buriti é possível contratar um carro particular que o deixará na casa de uma artesã. As artesãs foram capacitadas para receber turistas pelo Programa Turismo Solidário e por um preço simbólico oferecem hospedagem, refeições feitas na hora, muito mimo, atenção, hospitalidade e também, oficinas de manuseio de barro: desde modelarem até a pintura.

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Esse tipo de turismo solidário em Campo Alegre me emociona pelo simples fato de entendermos e fazermos parte daquela realidade, nem que seja por um curto espaço de tempo. Poderia simplesmente passar pelas comunidades, ver as bonecas na prateleira, tirar umas fotos e ir embora. Mas não. Resolvi ficar e ir até a fonte, beber desse conhecimento. Entender a construção criativa, ouvir sentada a beira do fogão de lenha os “causos” locais, sujar as mãos de barro e sorri ao ver que ele se transforma. Fazer pausas para lanche com café fresco e biscoito de queijo saindo do forno. Partilhar de histórias que se fundem com a minha própria realidade. Para nos conhecermos melhor, Anísia me mostrou por fotos o marido, filho, nora e o primeiro neto. Os sorrisos tímidos iam esvaindo-se a medida que o sol se despedia de mais um dia.

Conheci também Rita, mãe de Anísia, que tem no “currículo” 45 anos de ofício como artesã. Com os pés descalços veio me receber e sem cerimônia pediu que me sentasse no chão, no seu quarto de trabalho. Ali, ficamos conversamos por algumas horas, enquanto ela moldava um filtro sob encomenda. Entre uma prosa e outra, café e pão de queijo, sempre.

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Com o coração apertado me despedia de Poço D’Água, mas não sem antes conhecer a fofa Dona Clara, uma parteira de 104 anos. Embaixo de um pé de bouganville rosa, ela me revelou a fórmula de tanta saúde e alegria. Mas antes de começar a contar, me pediu segredo. 

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Serviços

Taxista de Campo Alegre até Poço D’Água (casa da Anísia): Dete (38) 9830-8276 (Vivo) / 9113-6664 (TIM)

Receptivo familiar

Anfitriã: Anísia

Contato: (38) 9179-7172

Antecedência de reserva: 4 dias

Preço/dia: consultar

Gostou das dicas de turismo solidário em Campo Alegre?! Deixe seu comentário contando quais foram as suas impressões!

6 COMENTÁRIOS

  1. Olá Chris!
    Procurando na internet informação para fazer uma viagem sozinha ao Vale de Jequitinhonha achei seu site. Acabei lendo muitos de seus artigos e ainda tenho outros por ler… Gostei muito de todos.. muito obrigada por compartilhar suas experiências com o resto..
    Então, faz muitos anos que sonho com fazer essa viagem e poder ficar em alguma comunidade do Vale por uma semana como mínimo e conviver com as pessoas e a sua vida cotidiana. Você saberia me dizer se atualmente seria perigoso fazer essa viagem sozinha? Eu tenho tentado entrar en contato por telefone com as pessoas da sua lista e até agora não tenho conseguido resposta. Se tiver alguma sugerencia de como poderia conseguir entrar en contato com alguma delas agradeceria muito se a compartilhasse comigo. Muito obrigada e continue a fazer essas viagens maravilhosas…. Odille

  2. Boa noite, gostaria se possivel, que vc me informasse contafo se artesãos do vale do jequitinhonha, pois sou lojista em belo hte e estou interessada em comprar mercadorias dessa regiao tipo. Bonecas, casinha de barro, divino epirito santo em madeira e etc. Ficarei imensamente agradecida.

    • Olá Eleusa, infelizmente não consigo te ajudar, aqui é um blog de viagens e as informações que repasso são voltadas para o turismo. Dá uma pesquisada na Google. 😉 Boa sorte!

  3. Oi Chris……descobri seu blog a poucos dias, estou planejando uma longa viagem e lendo tudo que posso a respeito….Li vários post’s seu e hj li sobre o turismo solidário, adorei a idéia para conhecer (talvez) em um final de semana prolongado, sua matéria é de 04/14, entrei no site deles e achei-o bem desatualizado!! Sabe me dizer se ainda existe este projeto? tentarei ligar no nºs acima para me informar, espero que ainda sejam os mesmo!! Adorei td q vc postou, com certeza muito útil….abçs Isabel

    • Olá Isabel,
      Infelizmente o projeto deixou de existir e os receptivos familiares estão sem apoio para divulgação, por isso, muitos deles deixaram de fazer parte do projeto. Uma pena… O único dado atualizado são esses telefones e as pessoas, como você, que vão até lá e trazem as novidades. Espero que consiga algum contato e possa conhecer esse projeto que é tão lindo! Se conseguir, nos atualize por aqui. <3
      Grande abraço!

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